Hoje é dia de Gnocchi

Junho 29, 2009

São Pantaleão

São Pantaleão


Conta a lenda que São Pantaleão, num certo dia 29 de dezembro, vestido de andarilho, andava por um vilarejo da Itália.
Com muita fome, bateu na porta de uma casa humilde e pediu alguma coisa para comer. A família grande de poucas posses não se importou em dividir a quantidade pequena de gnocchi que tinha preparado para o jantar com ele, cabendo assim para cada um sete massinhas.
São Pantaleão comeu, agradeceu a e partiu. Quando a família foi retirar a mesa, descobriu que embaixo de cada um dos pratos haviam moedas de ouro.
Por isso o ritual de comer gnocchi todo o dia 29 colocando dinheiro embaixo do prato.
É interessante também separar sete gnocchis e comer um a um e para cada um deles fazer um pedido diferente, Depois disso você poder comer à vontade.
Existem também umas palavrinhas que fortalecem a simpatia: São Genaro, estou comendo este gnocchi para que nunca me falte comida na mesa e dinheiro no bolso.
O dinheiro colocado sob o prato deve ficar guardado até o dia 29 do próximo mês para garantir a fartura.

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A linguiça pronta da Ana sendo preparada para o almoço

A linguiça caseira sendo preparada


Como o meu último post foi sobre feijoada, pedi para a Ana Sotero a receita da linguiça que ela preparou para o almoço postado com o título “Domingo de Inverno” no último dia 22 em São Paulo.
É fácil de fazer e deliciosa pra comer. Vai lá:

Linguiça caseira do Cafundó
Ingredientes
05 quilos de pernil suíno cortado em cubos pequeninos

Tempero:
03 colheres de sopa cheia de sal grosso
01 colher de sopa rasa de pimenta do reino em grãos moídos na hora
01 colher de sopa de ervas desidratadas de sua preferência
500ml de vinho tinto seco
02 colheres de sopa rasa de alho desidratado

Modo de Fazer:
Bater todos os ingredientes do tempero no liquidificador.
Acrescentar essa mistura ao pernil e mexer bem.
Colocar em um recipiente e fechar com papel filme.
Deixar descansar, em uma vasilha fechada, por 01 dia na geladeira
Para montar a lingüiça
Comprar a tripa de seu gosto [carneiro, bovina ou suína desidratada ou fresca]
Usar uma vasilha [tipo yakult, cortada no fundo] feito funil.
Com paciência e pensamento “aspiciosos”, encher a tripa no sentido exato da palavra para criar a sua lingüiça.
Deixar descansar sobre uma vasilha com furos e tampada na geladeira por 03 dias.
Agora é só preparar de acordo com a sua preferência.

Foto Ecio 280609 003

Domingo é dia de preguiça, de descanso e de aproveitar para fazer as coisas sem pressa, numa tranquilidade que não costuma acontecer durante os outros dias da semana.
O telefone não toca tanto e as obrigações do dia-a-dia parecem que ficam guardadas na gaveta. É muito bom desligar um pouco de tudo e fugir um pouco das regras.
Acordei fui treinar na minha academia. Fiz tudo com calma e bem direitinho. Tomei banho me arrumei e decidi então me entregar aos prazeres da vida, que pra mim é sempre associado a um momento gastronômico.
E em busca deste sentimento confortável, questionei: O que seria mais apropriado para um almoço carioca, em um domingo friozinho do que uma boa Feijoada? E aonde poderia comer a melhor? Foi fácil a resposta e ela estava ali bem próxima, do outro lado da ponte, a famosa Academia da Cachaça.

Foto Ecio 280609 011

O lugar tem alma, jeito e gosto de Brasil. Começa com as bandeirinhas nas cores da nossa bandeira no teto, depois na coleção exposta de mais de duas mil cachaças produzidas no Brasil, desde 1870. Para quem não sabe foi lá também que foi criado o Escondidinho, tão difundido e famoso hoje em dia. Ela também tem o Arrumadinho, na qual a carne seca é intercalada ao feijão de corda. A casa possui a fórmula acadêmica de fazer a Feijoada perfeita.

Foto Ecio 280609 010

Na chegada fui seduzido com a indicação da Empada de queijo coalho com alecrim, anunciada no cartaz. Pedi junto com uma caipirosca de tangerina. Combinação perfeita. Não quis abusar nas preliminares, senão não aproveitaria da brasileiríssima iguaria que teria como principal e que chegou em panelinhas de barro. Uma com o feijão e as carnes, a outra misturava couve à mineira, bacon, farofa com alho e laranja cortada e a terceira trazia arroz branco. Estava dividindo com o meu amigo Woody e não deixamos nada para contar história.
Finalizei com um sorvete de tapioca com calda de chocolate.
Ai muito bom! Nasci no lugar certo!

Sideways

Junho 28, 2009

Com a chegada da estação mais fria do ano, o que não faltam são opções para aproveitar o frio nos lugares mais descolados da cidade. Enquanto no verão a pedida é um chopp bem gelado, no inverno bebidas que esquentam como os destilados viram a vedete da estação e são os mais pedidos pelos cariocas que buscam outras alternativas. Lugares fechados, com aquecedor e até lareira viram a opção de lazer dos cariocas que trocam a praia por ambientes aconchegantes. Para fugir do frio a pedida do momento são as reuniões em casa, ou na casa dos amigos. Com a certeza de boa companhia e boas conversas, as opções gastronômicas bem escolhidas virão o quente da estação. Sugestões como: fondue, caldos e sopas são uma boa pedida para aquecer.
E para acompanhar um bom vinho. Outra dica para animar ainda mais essas reuniões é assistir um bom filme. O filme Sideways, do diretor Alexander Payne, de 2004, é uma ótima dica para quem aprecia um bom vinho ou quer entender um pouco mais a respeito. Ele aborda diferenças entre beber e degustar essa bebida extraordinária. A película utiliza como pano de fundo, e de forma interessante, a beleza da produção de vinhos, desde a plantação até seu armazenamento em diferentes recipientes. O filme faz ainda um passeio pelas sutilezas e necessidades de cada tipo de uva, como a Pinot, que requer cuidados especiais por sua dificuldade de manuseio. Seu amadurecimento rápido precisa de atenção na colheita em função de sua casca fina e também por não crescer em qualquer ambiente. O longa conta a viagem de dois amigos pelo o norte da Califórnia, onde eles visitam as vinícolas da região, além de mostrar as aflições e conflitos de cada personagem. E eles encaram esta aventura de diferentes maneiras, no caso de Miles que sofre pela sua recente separação, busca distrair-se na companhia de seu amigo, degustando bons vinhos e boa comida, se fechando para novas relações, pois ainda sente-se apaixonado por sua ex-mulher. E Jack, que vai se casar em poucos dias procura aproveitar seus últimos momentos de solteiro e acaba fazendo promessas inconseqüentes.
A história mescla os conhecimentos de Miles a respeito dos vinhos e o seu próprio desconhecimento de seus sentimentos, sua constante depressão com relação as suas escolhas e a dificuldade de se relacionar com os outros. Mas as situações modificam suas atitudes, Miles finalmente se conforma com o fim de seu casamento e se permite envolver com outra pessoa, deixando seu pessimismo de lado e Jack percebe que sua maneira inconseqüente arriscou sua relação e não poderia viver sem sua noiva. Há uma comparação sutil do amadurecimento do vinho, com a de Miles e Jack. É o tipo de filme que diverte com as situações constrangedoras dos personagens, mas também levantam questões a respeito do ser humano, além de agregar conhecimento a respeito de uma bebida tão deliciosa.

Daniele Souza

Garrafas de Bordeaux vazias no final da noite

Garrafas de Bordeaux vazias no final da noite

Ontem minha professora de francês, Maria Lúcia Bártoli, reuniu os seus alunos em um espaço do Codomínio Ocean Front, aqui na Barra da Tijuca, para mostrar um documentário do Jornalista Renato Machado sobre Bordeaux, suas vinículas e seus Chateaux, que produzem alguns dos melhores vinhos do mundo. Na ocasião degustamos muitos rótulos de origem bordalesa harmonizados com queijos, terrines e patês.

Registrei para o meu blog alguns tópicos básicos que definem bem a região.

Com treze mil viticultores, a região de Bordeaux, é a segunda maior área de cultivo de vinhos em todo o mundo, a primeira é Languedoc, também na França. O clima litorâneo propicia umidade, seu solo é de pedra calcária e os cursos dos rios Garonne e Dordogne, irrigam a terra. Tudo isso colabora para que o ambiente seja quase perfeito para a cultura de vinhedos. Suas vinícolas produzem vinhos de mesa para o dia-a-dia, assim como os mais prestigiados e caros do mundo, número que chega a 700 milhões de garrafas anuais, perdendo apenas para a região do Languedoc.

Os Châteaux Lafite-Rothschild, Margaux, Latour, Haut-Brion, Mouton Rothschild, Ausone e Cheval Blanc, são os produtores dos tintos Premier Cru da região, que estão entre os melhores vinhos que existem.

Os vinhos tintos e o Sauternes, são os destaques dos bordaleses. Ainda assim, Bordeaux produz vinhos brancos, vinhos rosés e vinhos espumantes (Crémant de Bordeaux). O tinto de Bordeaux é feito com a mistura das uvas, geralmente usam a Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Malbec e Carmenére, esta última está em extinção nesta região.

O branco bordalês é feito a partir das uvas: Sauvignon Blanc, Semillon e Muscadelle. Sauternes é uma sub-região do Graves, conhecida por seu vinho branco de sobremesa intensamente doce, que é o resultado da ação de um fungo chamado Botrytis Cinerea, popularmente conhecido pela denominação de nobre podridão.

A produção de vinhos teve início por volta do ano 48 a.C, durante a ocupação romana de St. Émilion, quando o Império estabeleceu vinhedos para o cultivo de vinho para seus soldados, mas apenas em 71 d.C foram registradas as primeiras evidências da existência de vinhedos na região de Bordeaux. As primeiras grandes extensões de vinhedos franceses foram criados em Roma, em torno de 122 d.C, localizava-se na atual região de Languedoc.

Foi uma noite muito agradável, a chuvinha fina ajudava a completar o clima aconchegante.  Ganhei bolo de aniversário feito com iogurte, uma delícia! Maria Lúcia possui vários dons, entre eles o de ensinar, de receber, de passar amor e de harmonizar, aliás isso ela sabe fazer muito bem!

Leila Branco e Maria Lúcia Bártoli

Leila Branco e Maria Lúcia Bártoli

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Guioza

Junho 26, 2009

Oriundo do note da China, o guioza é um bolinho feito com farinha de trigo, água e uma pequena quantidade de ovo, recheado com carnes variadas ou legumes, pode ser preparado no vapor, cozido na água ou frito. Para os chineses o guioza é conhecido como “jiozi” e o ideograma da palavra representa meia-noite, simbolizando também a lua. E de acordo com sua cultura ele costuma ser servido em banquetes, comemorações e festivais. Principalmente na passagem de Ano Novo, pois para eles a quitute simboliza fartura.
É difícil precisar exatamente quem o criou, mas hipóteses apontam para os chefs de cozinha da dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.). Foi nesse período onde apareceram os primeiros registros desta iguaria.
Existem diferenças entre o guioza feito na China, no Japão e no Brasil. Na China o preparo de uma massa mais grossa e é servido como prato principal. No Japão, a massa é mais fina, o recheio normalmente tem alho e cebolinha e é servido como acompanhamento ou entrada. Já no Brasil, segue-se o estilo japonês.

Daniele Souza

Comemoração

Junho 26, 2009

Bolo do Antiquarius

Bolo do Antiquarius

Ontem à noite fui ao Antiquarius Grill, no Barrashopping, comemorar o meu aniversário.Na verdade não foi uma comemoração, foi uma reunião para não passar a data em branco.
Fui com minha mãe, logo depois chegaram, Sandra e Ana, em seguida veio o Woody e um
pouco depois, Cristina e Tetê.
Assim que cheguei pedi uma porção de risoles de camarão, que a minha mãe adora, chegaram crocantes e deliciosos e foram devorados. Ofereceram-me como cortesia a tradicional sopa de pedra, que ao contrário do que o nome indica, tem muitos ingredientes, parece uma sopa de feijão mulatinho com carne de porco, sendo a pedra que vem dentro apenas um detalhe. Almeirim, cidade no coração do Ribatejo, no centro de Portugal é considerada a capital desta iguaria.
Quando Sandra e Ana chegaram uma nova porção de risoles e outra de bolinhos de bacalhau foram pedidas. Logo em seguida, o grande couvert, não tão completo como o da casa do Leblon chegou. Pães, torradas, manteiga, patê de campanha, ovos de codorna e um antepasto de beringelas que são renovados a todo instante. E como Cristina e Tetê anunciavam, por celular, que estavam chegando, esperávamos misturando conversa engraçada e toda essa comilança acompanhadas por goles do vinho argentino Alamos Malbec da região de Mendoza. Muito bem feito e refinado, possui aroma de boa intensidade, lembrando frutas negras maduras como amoras e cerejas, envolvidas pelo toque de baunilha proveniente do carvalho. Com corpo médio, taninos macios e acidez agradável, possui relação qualidade e preço imbatível, por cada garrafa de 750 ml pagamos R$ 59,00.
Na hora em que o maitre veio para saber o que escolheríamos como prato principal, ninguém aguentava mais pensar em comer. Para não fazer tão feio decidi dividir com o Woody um dos meus pratos preferidos da casa, a lula grelhada com bacon e arroz de açafrão, uma versão simplificada da lula na cataplana da filial da Zona Sul. Sandra e Ana pediram a mesma coisa. Minha mãe, Cristina e Tetê já estavam satisfeitas e nada quiseram.
Fui surpreendido com a chegada de um bolo simbólico com uma vela vulcão que parecia um lança chama. Cantamos parabéns para comemorar mais um ano de vida. Fui para casa um pouco mais velho e cai na cama que nem a tal pedra da sopa e apaguei.